domingo, 9 de maio de 2010

Você que verso

Você que é verso, é versar
Você que é canto, é cantar e encantar
Você que é feito de sonhos, de sonhar
Você que é asa em que me deito, em que me deixo voar
Você que é doce acalanto a ressoar
Você que é linda melodia ensaiando seu tocar
Você que é aroma penetrante a se espalhar pelo ar
Você que é sorriso tocante de criança ao brincar
Você que é luz e olha a lua, que é amante e ama o luar
Você que é tela de cores vivas que eu não canso de observar
Você que é desenho de amador: o único compromisso é de se expressar
Você que é convicto admirador: admira admirar
Você que é amigo na ausência, que está lá mesmo sem parecer estar
Você que dança, pelo singelo prazer de dançar
Você que ama tantos e faz a melhor pergunta “mas por que não amar?”
Você que é olho brilhando, que é menino a gargalhar
Você que é sentir tão sincero, quer demonstrar, quer celebrar
Você que é chama no frio a persistir em esquentar
Você que vai bem fundo em suas palavras, em seu olhar
Você que num dia de pura sorte tive a chance de encontrar
Você apareceu tão completo... E por inteiro, veio me completar.

sábado, 1 de maio de 2010

Poema e poeta, Ismael

Um tecedor de textos, de sonhos diversos, de versos...
Um interessante interessado... Interessado no movimento da rua, na passagem do tempo... Interessado na arte que parece saltar e cantar em cada esquina, em cada pessoa que se encontra na esquina...
Um apaixonado pela imensidão, pelo além do mero mundo visível, por aquilo que o olhar não alcança... Apaixonado e apaixonante.
Um observador diferente, que prefere olhar para onde ninguém presta atenção, que prefere atentar para aqueles que a maioria ignora, os “invisíveis”, os “insignificantes”...
Um constante atribuidor de significados... Gosta de analisar, de ver diferentes perspectivas... Gosta de olhar e de pensar sobre... E como gosta de expressar seu pensamento!
Um amante leal, fiel da música, da poesia, de seus amigos... De tudo aquilo que lhe comove e lhe transforma por dentro...
Um leitor assíduo de livros e de pessoas... Adora lê-las e relê-las e estudá-las e procurar entendê-las...
Um explorador de sentidos, de impressões... Solve beleza de conversas, de ações... Encontra sabedoria em pequenezas, em aparentes bobagens...
Um ensaio geral! Estar com ele é estar com suas opiniões, é estar com suas percepções...
Uma canção de amor em desordem...
Um menino olhando pela sua janela e atento a tudo que a paisagem lhe desperta...
Um visionário que descobre poesia onde só parece haver meros fatos e encontra canções onde parece reinar o silêncio...
Um tradutor de momentos, de épocas, de ocasiões e sensações...
Um sonhador incorrigível, delirante...
Um delírio ambulante! Em seu discurso – apaixonado ao extremo. Em suas visões, em suas "viagens"...
Um "viajante" assumido... Ele voa, faz as mais inesperadas associações... Mas cada vôo dele celebra um pequeno fato que em sua boca (ou em seus textos) ganha indefiníveis proporções...
Um tocador de sentimentos... Toca em lugares insuspeitos, onde não se espera ser tocado... Suas verdades tocam de forma sincera, profunda, única...
Um proseador... Gosta de divagar... E dá pra sentir sua entrega ao falar!
Um criativo de mente ímpar... Seu prazer é imaginar. Imagens voam em sua “cuca”, palavras, situações... Repensa as palavras de outro. Nas palavras de outros, encontra as suas. E sua criatividade teatral, faz com que ele interprete as mais espantosas – e deliciosas – loucuras.
Um admirador por natureza... Um verdadeiro fã daqueles por quem segue sua vida... Daqueles que justificam seus dias...
Um espírito vivo, inquieto... Quer saber, quer ver, quer ouvir mais e mais... Quer ler, quer amar, sente prazer em amar, sente a intensidade de “ser”...
Um jovem sábio que entendeu como viver pode ser mágico...
Um jogo de idéias, de palavras, um poema inacabado...
Assim vejo - e sinto, e amo - Ismael.

Refaz


Ele é a brisa suave
Que sopra versos em meus ouvidos
Mas é também a rajada forte
Que despenteia meus cabelos
É um vendaval intenso
Arrepiando meu corpo inteiro
E um furacão voraz
Que me transpassa e me refaz

Sereia Morena

Morena luz, morena rosa
Morenas são tuas madeixas e tua prosa
Morena cor, moreno acorde
Morena canção de amor, desejo e sorte
Morena pele, moreno cobre
Morena de porte altivo e alma nobre
Morena índia, morena forte
Morena como a terra que a água beija quando chove
“Me faz pequena, asa morena”*
Teus braços me ensinaram o que é o amor
Sereia morena, cheia de sonhos
Em teu colo deito e sonho, em tua asas sou maior


*Trecho da música "Asa Morena" de Zé Caradípia

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Sinal


Por um instante olhei aquele menino...
Uma criança como eu já tinha sido.
Mas com problemas que eu nunca sonhara em enfrentar.
Por um instante olhei bem aquele menino...
Olhei seu corpo frágil, seu rosto pequenino...
Quantas pequenas vontades ele não alimentaria?
Com quantas coisas, tão pequenas para minha infância, ele não sonharia?
Por um instante, olhei profundamente aquele menino...
Mas foi só um instante. O sinal abriu.

O punhado de areia


Eu me lembro pouco do céu naquele dia. Mas desconfio que estava nublado. De qualquer forma era uma manhã de outubro e manhãs de outubro sempre parecem cinzentas, mesmo quando ensolaradas.
Era o tão esperado dia da mudança... Meu pai tinha planos de morar em outra cidade desde o tempo em que eu era um feto. E então, sete anos depois, ele realizava seus velhos planos.
Minha mãe não estava tão animada quanto o meu pai, mas parecia se contentar com a felicidade dele. Assim eu era a única insatisfeita. Não dizia nada contra, até fazia planos para a nova cidade, mas não conseguia me sentir alegre de verdade.
Tudo foi tão repentino. Do nada o vago projeto transformou-se em mudança com data e hora certa. Quando foi que o mundo ficou tão ordenado que eu não acompanhei?
Era o fim. O recomeço não tardaria, mas eu já sentia tanta falta do que eu ainda tinha! Meu quintal, minhas conversas, minhas flores, o canto dos meus passarinhos... Nada era realmente meu, mas me tomavam tanto amor que parecia ter pleno direito de possuí-los!
A hora de partir se aproximava e eu não sabia onde esconder tanta tristeza. Lembro que tentei me consolar com uma boa amiga, mas que não devia ser tão boa assim porque não consigo recordar seu nome.
Acabei entrando no carro com um punhado de areia em minhas mãos pequeninas. Não podia levar nada do que me alegrava, mas aquela areia me lembraria para sempre o quanto eu tinha sido alegre naquele lugar.
Eu não sei onde o tal punhado de areia foi parar. Acho que me cansei de segurá-lo e o derramei pela janela do carro. Mas quando eu olho para as minhas mãos, já não tão pequeninas e marcadas pelo tempo, eu posso sorrir. Não porque me sinto criança de novo, mas porque lembro que fui criança o bastante para tentar levar a alegria em minhas mãos...

Puro verso

Quero te ler, poeta louco
Quero te ouvir cantar, sincero
Quero escutar teu timbre rouco
Quero escrever-te em puro verso

Viagem por uns versos tolos...


O ônibus vai e vai
com a calma de um suspiro...
Sem parar, ele roda e roda,
como uma palavra solta...
Sem entender, ele dá voltas
Ou será que é minha cabeça?

Carpe Diem


Trace um passo no escuro...
Saia de cima do muro!
Por que andar tão devagar
Se pode correr e divagar?

domingo, 18 de abril de 2010

Esse olhar


Olhar em teus olhos é como andar a beira-mar...
Porque teus olhos me convidam a mergulhar.