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terça-feira, 5 de julho de 2011

Saudade

Acho que falar sobre o passado é algo complicado. Porque olhando agora, de “fora”, o que foi um pretérito imperfeito parece mais-que-perfeito... E é então que a saudade arde. Mas como já escreveu de forma simples e sábia o mestre Gonzaga:“Saudade inté que assim é bom pro cabra se convencer que é feliz sem saber”... Escrevi este texto cheia de lembranças e de saudades das risadas à toa, do corre-corre pela rua, do tempo de infância em que a gente sonha sem pressa e sem culpa.

As borboletas eram fadas esvoaçando no quintal...
Se tu usavas um vestido, era a princesa.
Acaso alguém brigasse, viajávamos
para além, muito além do conhecido...
Nossa rua ia dar no fim do mundo!
E para chegar à floresta, bastava pular o muro...
Nosso cavalo era feito de madeira...
Com ele alcançávamos o céu, tocávamos estrelas...
E era um sonho, a vida inteira.



terça-feira, 12 de outubro de 2010

Cantiga de tentar aquietar corações


Não chora, criança,
que a noite que cai
se levanta... Todo dia!

Não chora, menina,
me mostra o sorriso mais lindo
da jóia mais linda...

Não chora, meu amor,
permita que o tempo te mostre
a beleza da vida!

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

O primeiro fim

Um pequeno texto com cara de final e jeito de começo.

Assim,
lembrando que todo fim
era, por consequência,
um começo de outra coisa
que ainda nem conhecia
(e nem podia conhecer,
porque nem começara),
o menino sorriu.

Ainda com os olhos ardendo,
ainda com medo,
ainda sofrendo,
ele sorriu...
E partiu,
com o sorriso encontrado no rosto
E a espera por um outro início
A balançar seu coração ousado
De menino pequeno e assustado.

sábado, 10 de abril de 2010

Receituário do adulto

Já não somos crianças e para agir precisamos medir os riscos...
Já não somos crianças e para nos envolver precisamos de bons motivos...
Já não somos crianças e para falar é preciso fazer sentido...
Já não somos crinças e para cantar é preciso cantar bonito...
Já não somos crianças e para sorrir é necessário haver um porquê explícito...
Já não somos crianças e para saber é preciso ter lido ou ouvido...
Já não somos crianças e para ler precisamos conhecer o livro...
Já não somos crianças e para dançar é preciso estar no ritmo...
Já não somos crianças e para conversar deve se escolher um assunto específico...
Já não somos crianças e antes de amar é preciso "criar juízo"...
Já não somos crianças e temos que parar de falar aos gritos...
Já não somos crianças e para sonhar primeiro temos que saber se é possível...
Já não somos crianças e para perdoar é preciso haver antes um pedido...
Já não somos crianças e se for desenhar, tem que ser um desenho incrível...
Já não somos crianças e para tudo que fazemos há um padrão a ser seguido...
Já não somos crianças, mas, sabe, nós bem que poderíamos...