domingo, 6 de novembro de 2011

De noite, as estrelas me contam segredos...

De noite, as estrelas me contam histórias
de amores que duram uma noite
de mágoas que gastam uma vida.


De noite, as estrelas me contam segredos
da esperança que nunca dorme
e do medo que adormece os homens.


De noite, as estrelas cantam baixinho
para acalentar corações...
Apura os ouvidos agora.
Se não conseguires dormir,
ouve o canto das constelações.


sexta-feira, 14 de outubro de 2011

A bailarina (Texto Erótico)

Bailava nua em cima do palco. As luzes incendiavam seu corpo nu, destacando-lhe os traços mais quentes. Cegava-a também. Morena, dançava com os seus pés cálidos ao som de gritos... e vaias. É assim que vemos pela primeira vez nossa personagem.
O cheiro de cerveja quente que embriaga casa-se com o fedor que nos dá asco dos cigarros baratos. Ar carregado de gente podre marginalizada nas ruas de um bairro sem nome. É aqui que ela dança num palco imundo de baba, gozo e grana.
Nos primeiros movimentos, como os de uma bailarina, usa uma maquiagem de quinta na cara e púrpura no corpo. Lingerie preta com meias 3x4 que suam com o movimento quente de suas coxas roçando a libido de sua voraz sensualidade embevecida com vodka e perfume madeira xampu, e se perde, rasga e borra com seus atos.
Música alta ensurdecedora. Um odor de sexo, do seu sexo, que enlouquece homens e mulheres. Era o balé entorpecido de movimentos cálidos que lhe arrepiavam os poucos pêlos de sua tez castanha da qual os porcos não sentiam... – pensava.
Sabia que eles não eram capazes de se comover com o alento do instante. E esboçava um sorriso sarcástico, sincero e insano de seus dentes tortos, um tanto podres. A luz apaga. Tudo agora é barulho. Não posso dizer mais nada sobre ela.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Grito à tempestade

Vou sorrir do fundo da escuridão
Quem sabe, cair em tuas mãos
Quem sabe voar?

Vou chorar até não caber mais em mim
Até não haver mais um fim
Pra não mais chorar.

Eu quero é viajar,
deitada no chão do barco,
sem ver o que vem de lá,
mas balançando à dança do mar...

Eu quero é navegar
Minha força é minha promessa
Eu quero é ousar seguir...

Nenhum trovão vai abafar
a fé que arde em mim!


domingo, 28 de agosto de 2011

Todo universo


O amor me sorriu num verso
E todo universo sorriu num sorriso teu
O amor ecoou em teu canto
E todo encanto partia de tua poesia
Será o Céu o verso teu?
E teu poema um manto meu?
Responde... Me esconde do mundo em teus braços,
me mostra a esperança em teus passos,
me ajuda a viver e voar!
O amor me encontrou num verso
E todo universo encontrei no teu olhar.

sábado, 30 de julho de 2011

Minha sutil homenagem a “balada do louco”, da Rita Lee


Estava sentado numa cadeira, na festa na casa de um amigo, vendo os outros dançarem, rirem e se divertirem, quando me veio uma moça de prosa convidar-me para dançar uma música pop que tocava na hora. Fora um convite esquisito, pois ela não falara nada, apenas deu-me sua mão e um sorriso gentil que jamais esquecerei.
Aceitei seu convite e, tímido, fui para o meio da festa. Imaginemos que seja um salão, pois não portava traços de o ser. Não sabia dançar e, ao tentar imitar o cavalheiro ao lado, pisei-lhe os pés uma ou trinta vezes. Trinta é um número mais sincero. Logo, fiquei nervoso e muito mais tímido não pude olhar-lhe os olhos.
Era “uma música longa”, pensei comigo mesmo. Lembro de ter pensado várias vezes: “dançar deveria ser fácil, é só um pra cá, dois pra lá”. E muitas outras vezes pensei isso, “deveria ser tão fácil... deveria...”. O engraçado é que, eu me sentia bem ali. Não me importava com muita coisa na companhia dela.
Tudo tinha seus tons tão escuros, as pessoas rodavam a nossa volta ou nós rodávamos em voltas sobre elas, e zonzo, nem reparei que a música primeira havia acabado e que vieram muitas e muitas outras. Agora a música era meio country, uma música que eu tinha a impressão conhecê-la, mas não me lembrava na hora.
Depois de algum tempo, quando dei por mim, vi que estava sozinho naquela festa. A moça de quem lhes falei não existia. Não lhe vi o rosto, porque não existia. Nem corpo. Nem swing. Mas sua mão me parecera tão real. O convite me parecera tão sincero. Que eu só pude rir de mim mesmo. E ri.
Algum tempo depois, dias, talvez meses, o que me acontecera nessa festa, repetira-se. Foi agradável. Descobri que essa tão misteriosa companhia me fazia bem. Eu ria de algumas coisas que ela dizia. Não me lembro do sabor de sua voz ou manchas de sua pele. A verdade é que dela ou sei muito pouco ou nada sei. Mas, deixa pra lá, você não entenderia se eu lhe dissesse.
Aos poucos me tornei um rapaz mais feliz, mais estranho. Conversar sozinho deve ter contribuído para que os que me vissem na rua assim, nessa situação, rissem de mim e me chamassem de louco. Pessoas podem ser más, sabiam? Muitas vezes nem precisam existir motivos para ser. O fato é que, com o tempo, um tempo que eu nem vi, alguns amigos preocuparam-se com a minha situação, assim, uns me consolaram, outros me abandonaram e outros, abandonei.
Algumas vezes já me perguntei “por que não me deixam ser feliz assim...?”. Sabe, sou feliz. Sei que é loucura conversar sozinho, assim como é loucura vestir roupas coloridas pr’um velório. Mas é muito louco que eu sou feliz. Loucura seria não o ser. Não ser. Ser. Quanto a ela, ah!, ela vive rindo das minhas loucuras.

“Sim! Sou muito louca
Não vou me curar
Já não sou a única que encontrou a paz
Mas louco é quem me diz! E não é feliz!
Eu sou feliz!...”

(Trecho da Música)

terça-feira, 26 de julho de 2011

Busca



Lá vai, Maria...
Carregando suas feridas,
arrastando suas memórias,
sustentando o peso de seu próprio coração.

Nessa longa caminhada,
o que busca é um caminho... Pra seguir,
um destino pra acreditar...
O que busca é um motivo para nunca parar.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Sós

Será que somos eu e tu ou nós?
Tanto faz se no fundo estamos sós...
Será que somos eu e tu ou nós?
Tanto faz se no fim estamos sós...

terça-feira, 5 de julho de 2011

Saudade

Acho que falar sobre o passado é algo complicado. Porque olhando agora, de “fora”, o que foi um pretérito imperfeito parece mais-que-perfeito... E é então que a saudade arde. Mas como já escreveu de forma simples e sábia o mestre Gonzaga:“Saudade inté que assim é bom pro cabra se convencer que é feliz sem saber”... Escrevi este texto cheia de lembranças e de saudades das risadas à toa, do corre-corre pela rua, do tempo de infância em que a gente sonha sem pressa e sem culpa.

As borboletas eram fadas esvoaçando no quintal...
Se tu usavas um vestido, era a princesa.
Acaso alguém brigasse, viajávamos
para além, muito além do conhecido...
Nossa rua ia dar no fim do mundo!
E para chegar à floresta, bastava pular o muro...
Nosso cavalo era feito de madeira...
Com ele alcançávamos o céu, tocávamos estrelas...
E era um sonho, a vida inteira.



segunda-feira, 4 de julho de 2011




Não sei dizer como meu sonho tomou corpo...
E olhos... E sorriso... E coração pulsando!
Mas digo que me tomou por inteiro:
O verso, o gesto e o fundo do meu peito...

Não sei contar quando a paixão fez sua morada,
nem explicar como ela fez mudar meu mundo...
Mas sei que desarmou minhas certezas
e desatou, no coração, a esperança.

sábado, 11 de junho de 2011

O girassol


Que a paixão
com tudo o que lhe é voraz
me carregue.
Consoante à paixão
que o teu calor, menininha morena,
em mim incendeia.
Somos incensos queimando por dentro.
Sou teu amante* queimando por dentro.
Louco por teu beijos. Eu,
Logo eu que te peço tão pouco.
Logo eu que te peço, se muito, o amor!
A mim, me perdoe.

? amante: que ama; que tem amor