sábado, 11 de junho de 2011

O girassol


Que a paixão
com tudo o que lhe é voraz
me carregue.
Consoante à paixão
que o teu calor, menininha morena,
em mim incendeia.
Somos incensos queimando por dentro.
Sou teu amante* queimando por dentro.
Louco por teu beijos. Eu,
Logo eu que te peço tão pouco.
Logo eu que te peço, se muito, o amor!
A mim, me perdoe.

? amante: que ama; que tem amor

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Mensagem



Guardo aqui dentro do peito tua risada doce
que me guarda da saudade que tua ausência traz...
Meu pensamento repassa tua voz serena, tua pele morena, teu beijo voraz.

sábado, 28 de maio de 2011

o movimento das cordas


O movimento das cordas.
O nylon.
Os dedos e
O corpo.

A melodia.
A madeira.
O braço e
A cabeça.

A razão.
O instinto.
A boca e
A melodia.

A “baticum” dos pés.
A batida.
O ritmo e
O coração.

A canção.
 

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Kilpatrick, estamos com você!!!

O caso Kilpatrick: uma questão que diz respeito a todos nós

Edwar de Alencar Castelo Branco Vice-Reitor da UFPI
Um irmão é maltratado e vocês olham para o outro lado?
Grita de dor o ferido e vocês ficam calados?
A violência faz a ronda e escolhe a vítima,
e vocês dizem: "a mim ela está poupando, vamos fingir que não estamos olhando".
Que espécie de gente é essa?
Quando campeia em uma cidade a injustiça,
é necessário que alguém se levante.
Não havendo quem se levante,
é preferível que em um grande incêndio,
toda cidade desapareça,
antes que a noite desça.
Lembrei-me de Brecht, autor do poema acima, pois foi ele quem me ensinou que a truculência intimidatória vai nos rondando de longe e, aos pouquinhos, aproxima-se de nós na direta proporção de nossa indiferença. Quando nos damos conta, somos tragados, submetidos, subjugados, irremediavelmente controlados.
Ontem, com a mais absoluta estupefação, a comunidade universitária tomou conhecimento de que o Diário Oficial da União estampava em uma de suas páginas, como se fora um ato rotineiro e regular, a exoneração do colega Kilpatrick Campelo dos quadros da UFPI. Insólito, inesperado, ressentido e ilegal, o acontecimento pretexta fazer algumas anotações:
1. Constitui grande equívoco considerar o professor em estágio probatório como um “quase funcionário”, investido nas obrigações do servidor público, mas sem o gozo dos direitos garantidos aos mesmos. Essa, aliás, é uma questão pacificada por diferentes instâncias do judiciário brasileiro e de modo especial pelo STF. Se ao servidor em estágio probatório cabe a obrigação da disciplina, da responsabilidade e da dedicação ao cargo público, à administração pública – no nosso caso a reitoria e suas extensões – cabe a obrigação de treinar e adaptar o servidor em imersão na instituição, “mediante observações e inspeções regulares” e não apenas ao final do triênio. As obrigações, assim como os direitos, são via de mão dupla.
2. A exoneração do colega Kilpatrick, a qual certamente será revertida, foi feita ao mais completo e absoluto arrepio da lei. Não me refiro nem discuto o processo de “avaliação” ao qual os colegas vêm sendo submetidos, nem questiono, nesse momento, o caráter monocrático e ilegal da portaria que regula a matéria na UFPI. Argumento com algo mais simples e acachapantemente indefensável: as súmulas 20 e 21 do Supremo Tribunal Federal, as quais tornam obrigatório “o processo administrativo, com ampla defesa, para demissão de funcionário admitido por concurso” e definem que o “funcionário em estágio probatório não pode ser exonerado nem demitido sem inquérito, com direito a ampla defesa e contraditório”.
3. O ato de exoneração do colega Kilpatrick referencia-se, exclusivamente, no processo de avaliação do seu estágio probatório. Afronta, portanto, os regramentos e a jurisprudência mais básica sobre a matéria, sendo plenamente nulo à luz da mais elementar legalidade.
4. Mas – é necessário dizer – não é suficiente apenas judicializarmos a questão. É preciso politizá-la. Nesse momento, centenas de colegas encontram-se em estágio probatório na UFPI. E aí cabe perguntar: o que deseja a administração superior da UFPI com a exoneração ilegal do nosso colega? Certamente não mira interesses republicanos. Sua mira, provavelmente, são estas centenas de colegas que poderiam amedrontrar-se diante de mais esse arroubo autoritário.
5. Mas, notem, eu disse “poderiam”. Como nos ensina Michel de Certeau, “é sempre bom não tomar os outros por idiotas”. As centenas de colegas em estágio probatório não se intimidarão e, pelo contrário, se tornarão mais fortes na direta proporção em que, à luz de ilegalidades tais como essa violência praticada contra o colega Kilpatrick, conhecerão seus direitos, falarão sobre eles, trocarão opiniões, se aproximarão das velhas gerações, tomarão, junto conosco, a UFPI em suas mãos.
Por fim, quero dizer que quando penso no professor Kilpatrick e na violência que contra ele foi praticada, eu enxergo, por trás de sua luta resistente, à sua mulher e à sua filha. Eu penso na aflição de sua família. E eu concluo que, embalado por Brecht, não devo ficar indiferente. Não vou ficar indiferente. Por DEUS, com DEUS, haveremos de derrocar e enxotar da UFPI experiências autoritárias tais como essa na qual estamos agora imersos. Quando isso tudo for apenas uma lembrança distante, quando for possível apagar da memória as atrocidades do reitorado mais violento e autoritário que a UFPI já teve, aí eu poderei voltar a não sentir vergonha e a me orgulhar da UFPI que é da gente! 
Amanhã, há de ser outro dia.
Edwar de Alencar Castelo Branco

sábado, 21 de maio de 2011

Ti tulo



Fido o teu cheiro amargo que nem café.
Fido à doçura, com teu batom, o embalar em riso.
Que incendeia flâmula viva ao que me é jocoso.
Ti tulo*.

*(tulo - léxico: aquele que se eleva).

O homem e a lua


O velho João encostou-se à janela para cumprimentar a lua... Como estava bonita! A meninada toda riu do gesto e um menino mais danado gritou: “O seu João tá louco! Agora fala com a lua!” A mãe o repreendeu: “Menino, que grosseria!”. Mas, de si para si, também ria. O velho, quieto, sorriu, um sorriso estranho que só ele mesmo entendia... Voltou para sua cadeira solitária e confessou: “Tenho peno dessa gente que nada escuta da lua”.

Sem pressa por um instante


Pousa tua mão sobre a minha

Sem pressa por um instante...

Você aparece lá em casa

E esquece de dizer “já vou”...

Entra na roda e sorri

Deixa a tristeza lá fora!

Perturba o sono das estrelas

Com tua alegria ruidosa!

Não, não me acorde!

Não me fale que é tarde!

A gente deita no chão

E se esquece que o instante passou...

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Aonde for


Menino levado,
vou contar-te um segredo que talvez já conheças:
tua esperança faz adormecer o medo.
Por isso esperas a manhã, ainda que custe a chegar...
Ela virá, vestida com suas promessas
como quando num dia bonito
ela enfim chegou... Com você.
Tua presença, de repente, veio erguer a velha crença
de que a vida ainda pode ser (e é) bonita,
de que não é tão mal assim acreditar...
Então, menino levado, leve essa confissão contigo:
por onde vou, voas comigo...
Tua alegria será minha graça aonde for.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Desde então, desde sempre...


Teu sorriso adentrou minha vida e cativou meus olhos...
E desde então sinto que é em teu sorriso que mora minha paz.
Desde então sinto que quando tu sorris, a vida sorri para mim.
Tuas mãos apertaram as minhas... E me senti tão vulnerável, mas ainda assim tão forte!
Senti-me entregue a um amor maior que meus maiores medos...
Senti-me entregue a teu amor e ao amor que despertaste em meu peito.
Meu coração desenha sonhos que nasceram graças a tua fé...
E de meu peito brotam versos que só fazem sentido porque sinto teu amor aqui dentro!
Ofereceste-me a graça mais nobre: a esperança!
E hoje percebo que era por ti que eu esperava...
Te aguardava e, sem saber, guardava para ti essas palavras:
Sinto que meu coração é e sempre foi teu!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Planos...


Vou correr sem rumo na chuva, dançar no meio da rua...
Fazer alguma loucura que me dê razão para sentir-me sã!
Vou te mandar a letra de alguma canção careta... Que sempre achei linda!
Esquecer desse medo de parecer boba... Para tentar a ousadia de ser quem sou, seja lá quem eu seja!
Vou bater na casa dela e confessar que sinto falta de bater na casa dela de repente...
Cometer algum ato maluco e impensado no qual eu penso sempre!
Vou pôr aquela faixa do cd que sempre pulo (sei lá por quê!)...
Vou visitar alguém que mora longe e dizer “Vim só pra te ver”...
Dançar como eu achar mais divertido... Cantar alto aquela canção da qual sempre esqueço a letra!
Fazer algo desnecessário... Que me seja indispensável!
Tentar uma aventura...
Voltar aquela rua e tentar andar de bicicleta... Levar uma queda! E me levantar, doída e sorrindo.
Vou mergulhar... Vencer o medo que me arranha e me faz estancar.
Vou gritar alto que te amo... Vou te ligar à meia-noite só pra sussurrar que te amo.
Vou me entregar. Se for para me ferir que seja sabendo que fui “até o fim”... “Vou até o fim”, como na canção.